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Artigos XXL:  Cultura Europeia: Conflito entre antigos e modernos


Cultura Europeia: Conflito entre antigos e modernos

O processo de configuração da cultura europeia é uma adaptação / recriação da raiz greco-latina e judaico-cristã. 

Antigos e Modernos

Desde a sua origem, a Literatura (bem como todas as outras formas de cultura) conheceu seus inspiradores e seus seguidores, os seus sábios de autoridade estabelecida e, também, aqueles jovens desejosos de reconhecimento. Nunca han faltado los admiradores del pasado que critican a la juventud ni ésta ha dejado de actuar con rebeldía frente a la tradición. Había siempre, casi por definición, una situación conflictiva entre Antiguos y Modernos.

Todos conhecemos aquela valorização do Antigo, aquela afirmação de que os bons tempos (a Idade do Ouro) já passaram: em Hesíodo, o estudo das Idades mostra a decadência do Homem; nas palavras de Bernard de Chartres, nous sommes des nains juchés sur des épaules de géant; e durante o Renascimento Italiano observamos a veemência perante o latim de Cícero e a grandiosidade do Gregos e do Império Romano. Todavia, podemos observar no Renascimento autores que começam a comparar os seus contemporâneos com os grandes mestres do passado e começa a haver uma literatura vernácula que convive, lado a lado, com o Latim.

Novos Ares

Não podemos deixar de citar a importância emancipadora do desenvolvimento do conhecimento e da chamada revolução científica a partir do século XVI, em que a Ciência, até então ligada à Filosofia, separa-se desta e passa a ser um conhecimento mais estruturado e prático: a revolução de Copérnico, a sua teoria do Heliocentrismo, contrariando a então vigente teoria geocêntrica de Ptolomeu; os Descobrimentos dos portugueses e espanhóis que vêm mostrar que afinal a Terra não é um espaço rodeado pelo Oceanus repleto de monstros;

 

Galileu Galilei já colocara em suspeição as contribuições de Aristóteles e de Ptolomeu à cosmologia e, por consequência, ao que era tido como exato para os gregos e alexandrinos – criticava, assim, a "pseudofilosofia", na época representada pelos aristotélicos dogmáticos; Descartes que associou a existência ao pensamento, Cogito ergo sum, afirmava a necessidade da desconfiança e da busca pela prova empírica e racional e não apenas o acreditar; e ainda Isaac Newton, Blaise Pascal, Andreas Vesalius, Kepler… Estava, assim, lançado o primado da dúvida (a dúvida cartesiana) sobre o legado da ciência antiga.

O impulso francês

De Itália para França, os defensores da poesia em língua francesa incitavam à formação clássica e às leituras de Tibulo, Propércio, Ovídio… Entretanto, a partir do século XVII, observamos una autoconciencia nacional creciente alimentada por la política del Cardenal Richelieu, el fundador de la Académie française (1635).

E tal é afirmado/reforçado a partir da leitura do poema Le Siècle de Louis le Grand Parallèle des anciens et des modernes de Perrault na Academia em 1687: La belle Antiquité fut toujours vénérable; / Mais je ne crus jamais qu’elle fût adorable. / Je voy les Anciens sans plier les genoux, / Ils sont grands, il est vray, mais hommes comme nous;  / Et l’on peut comparer sans craindre d’estre injuste, / Le Siecle de Louis au beau Siecle d’Auguste. Nasce assim a chamada Querelle.

A partir daí, intelectuais franceses pertencentes à Academia questionavam se deviam exaltar o rei Luís XIV, o Rei-Sol, recorrendo às citações dos clássicos do mundo greco-romano ou se deveriam inspirar-se em obras contemporâneas. Esta discussão abriu caminho para a crescente valorização do Moderno.

Perrault (1628-1703) afirmava que para qualquer lado que se olhasse, para qualquer oficio que se atentasse, nada indicava que os escritores, os cientistas e os artistas contemporâneos fossem menores do que Virgílio ou Ovídio ou Horácio. Além disso, apresentou uma série de argumentos que asseguravam a excelência do presente sobre o passado.

Os antigos eram destituídos da ideia do progresso e acreditavam que a Era de Ouro pertencera ao passado remoto e que o presente era decadente; os modernos, pelo contrário, acreditavam no constante aperfeiçoamento do homem e da sociedade; além disso, é de destacar o progresso técnico: os modernos, segundo Perrault, estão mais desenvolvidos do que os antigos no domínio das regras da arte, o gênio moderno é mais dotado: Os anciãos eram pagãos, nós somos cristãos, por isso, nossa poesia é inspirada em nobres emoções, nosso mundo é mais civilizado, e a arte barroca é superior. Ou seja, o conhecimento está em constante progresso, por isso, qualquer grande obra do presente será melhor que a do passado.

Este argumento, como afirma Highet, não se aplica à arte ou à literatura, pois a alma humana pode até mudar com o tempo, mas não aparenta maior profundidade ou complexidade com o passar das gerações. Além disso, a civilização não é um processo contínuo, mas um conjunto de diferentes processos, assim, os modernos were later in absolute time, but not in relative time. Além disso, podemos observar que muitas coisas não mudaram: o amor, a honra, o medo da morte, o desejo pelo poder, os prazeres dos sentidos… yet that does not prove that, in all times and places, men are equally skilful at making works of art out of this material. Art is a function of society. Ou, como afirma Swift, os modernos são como uma aranha que tece sua teia com material extraído de si mesmo, da sua própria substância, enquanto os antigos são como uma abelha que tira a matéria das flores do campo e, por isso, sua obra é melhor.

Crítica ao princípio da autoridade

Os sábios contemporâneos devem libertar-se da autoridade inquestionável dos antigos porque, simplesmente, algumas das ideias do passado não correspondem a realidade, a verdade; por isso, devem estudar a física, a medicina e a astronomia diretamente na natureza e através das novas descobertas promovidas pela utilização do telescópio e do microscópio e não nos livros de Aristóteles ou Hipócrates ou Ptolomeu.

Tempo linear

Uma outra diferença importante é a perceção de tempo linear: a diferença consiste no fato de os Antigos se referirem a um património universal, representado pela Antiguidade greco-romana que se conciliou com o cristianismo, enquanto os Modernos escolhem a via de um nacionalismo; começa a ser construída a autoconsciência da especificidade de cada época, essa autoconsciência da historicidade demonstra que a ótica do tempo perpassa toda a Querelle, possibilitando a ancoragem dos dois grupos em seus respetivos campos: para Antigos, o tempo é cíclico e supõe uma ameaça de decadência; para modernos, o progresso pressupõe a especificidade do século contemporâneo.

Concluindo

A vitória dos partidários do Moderno não foi total, mas evidentemente que ampliou a simpatia de todos pelos Tempos Contemporâneos e pela celebração do Presente. Portanto, o questionamento de Perrault implica o reconhecimento da insuficiência da experiência anterior e a afirmação do tempo presente como novo valor. É um singular conflito na guerra eterna entre tradição e modernismo, entre autoridade e originalidade. Afinal de contas, será que nós somos mais civilizados ou mais desenvolvidos que os gregos ou os romanos? Em algumas coisas sim, sem dúvida! Noutras coisas não. Portanto, o debate continua…









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Clicks: 655 | Última atualização: 16/09/2016 às 21:02

Enviado por johnny em 29/06/2014 às 14:05

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